23 de maio de 2007

Contrastes

O Silas ‘rodou a baiana’

CRÉDITO: Agência Brasil
E não poderia ser diferente. O escritor Mario Prata definiu a expressão como ‘enfezar-se’ ou ‘dar um escândalo público’. Assim aconteceu com o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau. Que falta de vergonha: queria continuar no cargo depois de ser apontado como beneficiário do esquema de fraude em licitações. Conforme noticiado no site Folha Online, o escândalo começou a respingar em Rondeau quando a PF prendeu, durante a Operação Navalha, Ivo Almeida Costa, que era assessor especial de seu gabinete.


Uma história parecida, na Suíça

O parágrafo que acabo de escrever acima, acicatou minha memória para um fato ocorrido na época em que ainda morava em Genebra. Comprei um exemplar da revista quinzenal de política e economia, l’Hebdo, uma espécie de Veja da Suíça francesa. Logo ao folhá-la estranhei a quantidade de páginas (aprox. 30 - quase metade da edição) dedicadas a um único deputado nacional. Ao começar a ler a matéria descobri tratar-se de uma espécie de “direito de resposta”.

Não mais me lembro do nome do parlamentar, mas recordo perfeitamente alguns detalhes do conteúdo da publicação, que muito chamaram a minha atenção. A revista esclarecia ter cometido um grave engano ao divulgar o envolvimento do deputado em um eventual caso de corrupção – até na Suíça acontecem dessas coisas(!). Logo que seu nome fora envolvido no caso, o parlamentar afastou-se da função, como é praxe. O caso foi levado à Justiça e o deputado reassumiu o cargo após sua absolvição. Alguns poderiam desconfiar que a justiça de lá falhara, mas não foi esse o acontecido. A própria revista reconheceu o erro, desculpou-se publicamente, e o parlamentar teve o direito de expor a defesa, narrando sua história no dobro de páginas que continham as anteriores acusações.


O que concluo dessa história, em comparação ao que acontece no Brasil, é que o afastamento do cargo é algo natural e óbvio, quando do envolvimento de um servidor público em escândalo de corrupção. Aqui é muito comum apelar para a famosa “suposição de inocência até que se prove o contrário”. Isso é uma vergonha(!), como diria o jornalista Boris Casoy (foto). Na política, essa prerrogativa só estimula o festival de caras-de-pau.


Esse tema, tratando da ética na política, é tão interessante que, amanhã publicarei um artigo com detalhes a respeito da conduta de “representantes do povo” em alguns outros países. Sempre me interessei pelo assunto e procurei conhecer as idiossincrasias da política de países por onde passava, às vezes, vivendo durante um certo tempo. Serão alguns relatos e constatações surpreendentes!


22 de maio de 2007

A complicada tarefa de administrar São Paulo

CRÉDITO: Marcio Rodrigues - Veja SP
Em diversos posts elogiei iniciativas do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), na foto ao lado, mormente a “Lei Cidade Limpa”, que visa a acabar com a poluição visual no município de São Paulo. Em nossa recente coluna WEEKLY NEWS dedicamos dois blocos a projetos da Prefeitura. O primeiro destacou o incentivo fiscal oferecido às empresas que se instalarem na região da Nova Luz, antiga “cracolândia”, no centro antigo da cidade. O outro bloco foi dedicado ao plano do secretário de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, de revitalizar a região do Parque Dom Pedro.

Estação da Luz
Certamente, todo paulistano ou morador da capital paulista sabe reconhecer a importância desses projetos. A degradação do centro da metrópole foi catastrófico. Durou muitas décadas e nada era feito para mudar a situação.

Felizmente, a situação parece começar a ser revertida. Destaque-se a espetacular reforma que sofreu a antiga Estação Júlio Prestes, transformada na Sala São Paulo, um dos mais espetaculares salões de concertos do país. Também as restaurações da Estação da Luz, que hoje comporta o Museu da Língua Portuguesa e do Mercado Municipal que se transformou em ponto turístico da capital. Sugiro uma visita ao ótimo site CentroSP, onde estão muito bem descritos e fotografados diversos projetos interessantes de reurbanização.

A revitalização do centro antigo teve início na gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT-SP), que já foi merecedora de comentário elogioso em nosso blog, quando abordamos a reforma realizada na Av. Nove de Julho - com novas calçadas e um decente corredor de ônibus. Lamente-se o ridículo outdoor do deputado estadual Campos Machado (PTB), na foto abaixo, que desadorna terrivelmente a fachada de seu escritório e a paisagem da bonita avenida.

A reformada avenida Nove de Julho e a excrescência do deputado Campos Machado


DENÚNCIA - Depois de enumerados destaques positivos das obras da municipalidade, nosso leitor Gabriel Souza (23), estudante do curso de Letras da USP, solicitou que analisássemos um fato recente, nem tão saudável, ocorrido na administração do atual prefeito. Referia-se à matéria publicada no jornal Folha de S.Paulo, do dia 08/5/2007, sob o título “Kassab se omite, e benesse a vereador vai virar lei em SP”. Abaixo destaco um trecho da matéria, para que se possa entender o que aconteceu:

”O prefeito Gilberto Kassab se omitiu e com isso garantiu ontem a aprovação do projeto que amplia os benefícios dos vereadores de São Paulo. Kassab não sancionou nem vetou ontem o projeto de lei, de autoria da Mesa da Câmara. Ontem venceram os 15 dias úteis previstos no artigo 43 da Lei Orgânica do Município para que o prefeito se manifestasse - o projeto chegou à prefeitura no dia 13 de abril. (...) Com sua omissão, uma hipótese prevista no parágrafo 3º do artigo 43 da Lei Orgânica do Município, ele evita um atrito com os parlamentares e tenta fugir de mais um desgaste com a opinião pública.”

Mercado Municipal
Infelizmente, qualquer que fosse o prefeito a mesma decisão seria tomada. Vetando o projeto, seria deflagrada uma indisposição entre os poderes Legislativo (Câmara) e Executivo (Prefeitura). A única solução que encontra essa situação vergonhosa é através das urnas. Cabe ao eleitor o veto. Está faltando mais ação por parte de ONGs como a Transparência Brasil e da própria sociedade civil como um todo, no sentido de se manifestar de forma contundente contra projetos tão vergonhosos quanto esse, do vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR). A própria imprensa deveria dar maior destaque ao tema e denunciar o que, particularmente, considero mais um escândalo com uso inadequado do dinheiro dos impostos.

Leia-se abaixo o restante da matéria da Folha, enumerando a falta de escrúpulos desse outro bando de canalhas da Câmara Municipal de São Paulo:

“O projeto foi uma promessa de campanha do vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR) para ganhar a presidência da Casa no fim do ano passado. Os vereadores terão, a partir de agora, uma verba de até R$ 12,5 mil para pagar as despesas de seus gabinetes. Hoje, os parlamentares têm direito de usar cotas de serviços fornecidos pela Câmara, como cópias de documentos, correios e gasolina para o carro oficial que, no total, somam cerca de R$ 10 mil por mês para cada vereador. (...) Os vereadores têm salários de R$ 7.155 por mês e contam com até 18 assessores - que agora poderão trabalhar fora da Câmara, nas bases eleitorais dos parlamentares - com salários de até R$ 6.700. Além disso, os servidores poderão, por exemplo, ganhar R$ 1.200 extras para assessorar, em seu próprio horário de trabalho, as comissões da Casa. O projeto também abre margem para que funcionários de carreira recuperem uma parte dos ganhos retirados em 2003, quando uma reforma administrativa cortou benefícios em cascata que levavam a supersalários de até R$ 48 mil.”


21 de maio de 2007

"Al Gore - Brazil"

Al Gore será candidato à Presidência dos Estados Unidos em 2008? Por todos os lugares em que passa, essa é a pergunta mais repetida. A sua habitual resposta é de que não tem intenção de concorrer. Mas também não tem intenção de não concorrer. Um grande número de pessoas está convencido de que Gore pode ser persuadido a candidatar-se. Por isso, ingressamos, oficialmente, em uma campanha popular com o objetivo de estimulá-lo a lançar sua candidatura. O movimento chama-se: Al Gore - The 2008 Grassroots Draft Campaign.

Entre 1993 e 2001, Al Gore foi vice-presidente dos Estados Unidos, durante a administração de Bill Clinton, do Partido Democrata. Em 2000 concorreu à presidência e, apesar de ter tido mais votos populares, perdeu a eleição para George Bush, no Colégio Eleitoral.

Em 2006, Gore lançou An Inconvenient Truth, um filme sobre o aquecimento global, que ganhou o Oscar de melhor documentário em 2007. Conjuntamente com o presidente da Virgin, Richard Branson, lançou um concurso que pagará US$ 25 milhões para o cientista que apresentar o melhor projeto para diminuir as emissões de dióxido de carbono na atmosfera. Como ativista ecológico, Gore escreveu dois livros: “A Terra em Balanço: Ecologia e o Espírito Humano”, editado pela Augustus, em 2003 e “Uma Verdade Inconveniente”, pela editora Manole, em 2006.

Visite o site da campanha popular clicando aqui e ingresse na comunidade “Al Gore – Brazil”, que criamos para marcar presença do Brasil nos assuntos de interesse global.

20 de maio de 2007



WEEKLY NEWS:
A coluna SUNDAY NEWS, publicada semanalmente, de domingo para segunda-feira, mudou de nome, adaptando-se melhor ao seu propósito.

FALÊNCIA DO CALÇADO
Com o dólar abaixo dos R$ 2,00 é iminente a falência da indústria de calçados nacional. A principal razão para a falta de competitividade no mercado mundial não é a desvalorização do dólar, mas a imensa carga de impostos que recai sobre a folha de pagamentos.
EXPLICAÇÃO: O empresário brasileiro exporta em dólar desvalorizado. Ao vendê-lo, obtém menos reais na operação e os custos de produção mantêm-se em moeda nacional.

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EXPORTAÇÃO DE EMPREGOS

Enquanto oposição, a esquerda vivia criticando as empresas multinacionais estrangeiras que investiam no Brasil, gerando empregos e pagando impostos. Será que (agora que está no poder) essa mesma esquerda não vai se manifestar diante do problema de as empresas brasileiras estarem deixando o país para instalarem seus parques industriais no exterior, criando por lá empregos e pagando impostos para governos estrangeiros?
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NA CONTRAMÃO

Somente entre 2006 e 2007, grandes empresas nacionais que estão indo para o exterior levaram consigo US$ 30 bilhões, superando o que ingressou no Brasil e que poderia ter sido investido aqui.
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FIM DA INDÚSTRIA

Enquanto a exportação de commodities (produtos primários de baixo valor agregado) para a China e para os Estados Unidos têm batido recordes consecutivos (superávit de US$ 40 bilhões), a exportação de produtos industrializados despencou de 19,9% em 2004, para 2,9% em 2005; e cresceu apenas 3,3% em 2006.

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NEM DELFIM
O genovês Guido Mantega, através de suas declarações, continua demonstrando que é, certamente, o ministro da Fazenda mais imbecil de todos os tempos. Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, afirmou que o Brasil vive um ciclo de crescimento mais favorável que o da época do milagre econômico (final dos anos 1960 e começo dos 1970), e que as perspectivas econômicas são mais otimistas que nos tempos de JK.
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SEM-VERGONHA
O Maranhão, estado federativo que apresenta os piores indicadores econômicos e sociais do país, livrou-se temporariamente do clã Sarney na eleição de 2006, mas conseguiu colocar em seu lugar coisa ainda pior. O governador Jackson Lago, do PDT (na foto ao lado), que está ficando nacionalmente famoso graças ao seu envolvimento com o escândalo de corrupção descoberto pela Polícia Federal, o esquema da Operação Navalha, é responsável pela criação da maior rede de nepotismo montada nos estados.
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CANALHAS
Depois dos ‘mensaleiros’ e dos ‘sanguessugas’, mais um bando de ladrões foi identificado pela Polícia Federal. O público, já habituado aos escândalos de corrupção, já nem mais demonstra grande surpresa ou indignação. Somente numa 'república de bananas' é possível ficar tão passivo. Em lugar decente, a simples sombra de dúvida sobre a integridade de um político ou servidor público já motivaria a sua renúncia. Aqui o que se observa é um festival de caras-de-pau que ainda permanecem nos cargos. E ninguém protesta?!
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JAULA ESPECIAL

Faz-se urgente uma mudança radical na legislação. A corrupção precisa ser encarada como crime muito grave. E aos bandidos não deveria mais ser permitido responder por sua ladroagem em liberdade. Além disso, a prisão especial reservada para criminosos com diploma de curso superior é uma piada. Um bandido com diploma mereceria uma cadeia muito mais 'especial' do que essas, que existem por aí: de preferência, uma jaula de zoológico para serem visitados pelo público, como ‘animais de altíssima periculosidade’!
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TRIO PROMISSOR

Os governadores José Serra (PSDB-SP), Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e Aécio Neves (PSDB-MG) estão mostrando a que vieram. Enquanto o paulista enfrenta corretamente a crise nas universidades públicas e já consegue apresentar resultados positivos no sistema penitenciário, o carioca trava guerra com bandidos para retomar o controle da área que ficou conhecida como Complexo do Alemão e o mineiro investe firmemente em projeto de PPP (parceria público-privada) que visa a construir uma nova estrada ligando Belo Horizonte a São Paulo.

Os governadores José Serra (SP), Sérgio Cabral (RJ) e Aécio Neves (MG):mayer
PONTO PARA O PREFEITO
A região da Estação da Luz, na cidade de São Paulo, antiga cracolândia, hoje conhecida como Nova Luz, é prioridade da administração do prefeito Gilberto Kassab (DEM). Uma megaoperação para limpar a área de uma vez está sendo montada. O "Projeto Nova Luz" quer transformar a cracolândia em reduto de agências de publicidade e instituições de ensino. O quadrilátero receberá redução de ISS, IPTU e ITBI. Esse é o exemplo a ser seguido por todas as administrações: reduzindo impostos é possível construir um país melhor!
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O prefeito Kassab e o secretário Matarazzo
VER PARA CRER
“Uma região que também precisa desta revitalização é o Parque Dom Pedro, com a devida desapropriação do Edifício São Vito, do Edifício Mercúrio e dos prédios no entorno, transformando aquilo numa praça. Seria interessante a demolição do Viaduto Diário Popular, que não tem grande utilização”, afirmou o secretário de Subprefeituras, Andrea Matarazzo, em entrevista à coluna de Sonia Racy, no Estado.
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DITADURA

O idiota latino-americano Hugo Chaves afundará ainda mais a ex-democracia da Venezuela através do atentado à liberdade de expressão, promovendo no próximo dia 27 o fechamento da rede de tevê privada RCTV.
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PRESERVAÇÃO

Três lêmures de cauda anelada, raça originária de Madagascar, nasceram no Jardim Zoológico Fuengirola, na Costa del Sol, na Espanha. Dois dos recém-nascidos, que já estão se movendo livremente no seu cerco, são gêmeos idênticos. Este é o terceiro ano consecutivo que esta espécie em extinção produziu jovens no jardim zoológico.
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FRASE

“Fazer greve 100 dias e receber salário
não é greve, são férias.”

presidente Lula da Silva, em sua 2ª entrevista
coletiva desde que assumiu a Presidência


19 de maio de 2007

A crise na USP

mayerCRÉDITO DAS FOTOS: SIMONE HARNIK / G1Prédio da reitoria da USP ocupado por 'estudantes'

Em recente artigo, tratei do tema da ocupação da reitoria da USP, Universidade de São Paulo, no campus Butantã, por alguns alunos. Mais do que abordar o movimento e a greve que se instalou, descrevi o curioso saudosismo dos tempos da Guerra Fria e do alinhamento pró-soviético de parcela substantiva do alunado.

Nos dias que se seguiram até a data atual, os principais órgãos de imprensa deram cobertura à evolução dos acontecimentos. Como aluno da universidade, acompanhei de perto a movimentação. O texto a seguir visa a relatar os acontecimentos e a oferecer um diagnóstico da crise que se instalou. Com efeito, procuro também oferecer propostas e soluções.


HISTÓRICO - No mês de janeiro, logo após a posse, o governador José Serra criou medida que visou a exigir mais transparência nos gastos das três universidades estaduais – USP, Unesp e Unicamp, através do qual as contas das instituições de ensino passariam a ser incluídas no Siafem, Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios. “O sistema monitora a movimentação do caixa de órgãos públicos, permitindo aos contribuintes acompanhar o uso de seu dinheiro e, aos administradores, avaliar a eficiência da gestão financeira”, conforme esclareceu a revista Veja, na edição do dia 16 de maio. Aos reitores das universidades não agradou a idéia e, sob o argumento de “perda de autonomia”, fizeram declarações descabidas. “Acabaram insuflando a extrema esquerda estudantil”, escreveu Reinaldo de Azevedo, colunista de Veja, em seu blog.

Desde os primeiros meses do ano letivo já se observavam cartazes e panfletos de autoria de centros acadêmicos, condenando a medida do governador. No período, ocorreram diversas reuniões de estudantes e algumas delas contaram com debate de professores. Destaque-se que os órgãos de ‘representação estudantil’ (CAs e DCEs) são ocupados por ‘estudantes’ que, mais do que essa qualificação, são ativistas militantes de partidos políticos, majoritariamente do PT, PSTU, PSOL, PCO e PC do B. Além desses, também aderiram ao movimento estudantes sem qualquer vínculo partidário, mas que são simpáticos aos ideais da esquerda revolucionária. Outros, bem intencionados, inclusive alguns colegas, desejosos de alcançar seus objetivos acadêmicos, não se dão conta de que sucumbem atuando como massa de manobra dos radicais. Numa assembléia de estudantes, da qual participei como ouvinte fortuito, a forma de tratamento que os oradores destinavam à platéia era - pasmem(!) - camaradas.

Os líderes dos movimentos que se opuseram ao decreto do governador solicitaram audiência à reitora da USP, Suely Vilela, e foram informados de que seriam atendidos pelo vice-reitor, pelo fato de a reitora encontrar-se viajando. No dia da audiência os estudantes não quiseram conversa com o vice-reitor e deram início ao quebra-quebra que destruiu as portas da reitoria e invadiram as suas dependências. Um colega que esteve presente disse que "a ocupação foi pacífica”, mas a foto abaixo põe em dúvida a informação.

O espantoso é que, mesmo num centro de excelência acadêmica como a Universidade de São Paulo – que exige aprovação na Fuvest, um dos mais difíceis vestibulares do país, acessível somente àqueles que tiveram uma boa base educacional -, haja tanta desinformação por parte do alunado. Nessa análise, porém, é muito importante não generalizar. Toda essa descrição é bastante válida para a FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas) e para a ECA (Escola de Comunicação e Artes) – exatamente as unidades tiveram maior adesão de alunos à greve que se instalou e que se mostraram favoráveis à ocupação da reitoria.

A FFLCH e a ECA comportam cursos de graduação em Ciências Sociais, História, Geografia e Jornalismo, entre outros, e têm um histórico que se caracteriza pelo combate à ditadura militar, mas também pelo alinhamento pró-soviético, nos tempos da Guerra Fria do século passado, tanto por parte do alunado como de seu corpo docente, diga-se Marilena Chauí (foto) ou Emir Sader, entre muitos outros. Não há mais ditadura militar e a ex-URSS foi esfacelada. Os saudosos da época, porém, ficaram órfãos de modelos e de ideais. Com a chegada do Partido dos Trabalhadores ao poder, uma ala alinha-se a favor do governo Lula da Silva e outra mais radical aderiu aos partidos mais à esquerda, como PSOL, PSTU, PC do B e PCO. Quase todos defendem governos como os de Hugo Chaves, da Venezuela, e de Evo Morales, da Bolívia.

Para esses pseudo-estudantes o que mais importa é a baderna e o quebra-quebra. A utopia ainda é uma revolução nos moldes bolchevistas. E a chance de tomar posse de um espaço como a reitoria da Universidade acaba se transformando numa insólita conquista.

Prédio da FEA-USP
O OUTRO LADO – Enquanto certos prédios da universidade são caracterizados pelo “cinza-concreto com pichação — misto de Alemanha Oriental pré-queda do Muro com Paris de 1968”, como os descreve Reinaldo de Azevedo em seu blog, a FEA (Faculdade de Economia e Administração) parece uma ilha de prosperidade, um complexo limpo e organizado. Quando vou tomar café na cantina da FEA, um amigo do curso de Letras costuma dizer: “aqui é a Europa da USP enquanto a FFLCH é a África”.

O que distingue a FEA das demais? – Ela recebe dinheiro de fundações como a FIA (Fundação Instituto de Administração), a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) e a Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).

Para equiparar-se, bastaria à FFLCH criar o seu próprio instituto de pesquisas. E não faltaria dinheiro proveniente da iniciativa privada, que tem interesse por ciência. Basta um pouco de competência para que se crie, como sugere Reinaldo de Azevedo, “uma robusta fundação, um DataBrasil, um DataUSP”, que partiria da união entre os sociólogos, filósofos, historiadores e filólogos dali com os especialistas em estatística do IME. É vergonhoso que não se tenha na FFLCH uma fundação, como em tantas outras universidades, que edite livros e ofereça melhores traduções ao pobre acervo científico disponível em Língua Portuguesa. E isso não precisa ser financiado com dinheiro público. Esse sobraria para pintar paredes e reformar banheiros.

Para ver mais fotos da ocupação da reitoria da USP clique aqui
mayer

A musa de Cannes 2007

CRÉDITO: Affari Italiani
Fugindo um pouco da austeridade da economia e da política, hoje farei um breve comentário a respeito do Festival de Cinema de Cannes 2007.

Como noticiou o diário milanês Affari Italiani, a Itália é Asia Argento, em Cannes. É rara a circunstância de uma única atriz tornar-se estrela absoluta do festival. Imagine-se então conseguir brilhar três vezes. Com o filme de Olivier Assayas, “Bording Gate”, com outro de Catherine Breillat, “Une Vielle Maîtresse”, e outro de Abel Ferrara, “Go-Go Tales”.
(Assista ao vídeo-comentário, no site Libero, em italiano)

Ainda não há favorito para a Palma de Ouro, mas Asia Argento, atriz e cineasta, tornou-se a musa de Cannes. Conforme noticiou o Blog do Bonequinho do jornal O Globo, “sem pudor algum de tirar a roupa na telona nem se envolver em cenas capazes de corar o mais assanhado dos sátiros, a atriz e cineasta, arrancou suspiros da ala masculina da crítica presente ao festival à frente de Boarding Gate". O filme narra a história de uma ex-prostituta que vai tentar iniciar uma vida nova na China. O diretor inspirou-se no cinema de Hong Kong. “Aquele lugar é quente; parece o inferno”, afirmou Asia, conhecida por seu estilo “boca-suja”, para o jornal.

Visitei o site oficial de Asia Argento e fiquei muito bem impressionado com o ensaio fotográfico artístico, assinado por famosos. Confira-se, clicando sobre "images" no "menu".


ASIA ARGENTO é filha do diretor de cinema italiano Dario Argento


18 de maio de 2007

Frase

"Os atos de grupos radicais, cuja violência é condenável, não podem se sobrepor à contribuição inegável da USP ao Estado e ao país".

Suely Vilela, reitora da Universidade de São Paulo,
em artigo para o jornal Folha de S.Paulo, em 17/05/2007

CRÉDITO: SIMONE HARNIK / G1

O lado bom

Sim – é verdade! Existem aspectos positivos no governo Lula da Silva, mesmo quando observados sob uma ótica liberal. Hoje vamos procurar falar somente de coisas boas.

Fernando Collor foi o presidente da abertura econômica: atraiu investimento estrangeiro e permitiu a modernização do parque industrial; também foi o responsável pelo início do processo de desestatização. Fernando Henrique Cardoso, através do Plano Real, conseguiu controlar a hiperinflação, deu continuidade ao processo de privatizações e melhorou substancialmente a imagem do Brasil no exterior.

AS VIRTUDES

Lula da Silva talvez conquiste para o Brasil o “investment grade”, um rating que reflete o risco país, antes do final de seu mandato, em 2010. Essa classificação é utilizada por investidores estrangeiros, para decidir por países que valham aplicações, refletindo o risco de não honrarem o pagamento de seus títulos. Quanto melhor é a avaliação, maior é a capacidade de atrair investimentos. O Brasil está a um degrau da faixa de grau de investimento. No último dia 10, a agência de classificação de risco Fitch elevou a nota atribuída ao Brasil de "BB" para "BB+". (Veja o ranking da Fitch)

O segundo destaque positivo do governo Lula da Silva tem sido a atuação da Polícia Federal. Lamentavelmente, não há garantias de que todos os bandidos – entre eles políticos, desembargadores, juízes, delegados, policiais –, funcionários públicos de todos os escalões, que têm sido pegos cometendo crimes, sejam condenados. Mas a PF está fazendo a sua parte, encaminhando os marginais para a alçada da Justiça.

CRÉDITO: O Globo Online
Hoje foi divulgada a Operação Navalha, que desarticulou uma suposta quadrilha que fraudava licitações públicas para a realização de obras, com a prisão de 46 pessoas, entre elas o ex-governador José Reinaldo Tavares (MA), o filho do ex-governador João Alves Filho (SE), dois sobrinhos do governador Jackson Lago (MA), prefeitos, um deputado distrital, um funcionário do Planejamento e um assessor do ministro Silas Rondeau (Minas e Energia).

Para que se tenha uma melhor idéia a respeito das várias operações da Polícia Federal nos últimos anos, segue abaixo uma lista com os seus nomes e as respectivas ações:

- Têmis e Hurricane: venda de sentenças judiciais favoráveis aos jogos ilegais
- Sanguessuga: compra superfaturada de ambulâncias com dinheiro público
- Hidra: combate ao contrabando
- Anaconda: venda de sentenças judiciais
- Águia e Planador: tráfico internacional de drogas
- Zaqueu: corrupção nas delegacias do trabalho
- Matusalém e Zumbi: fraudes no INSS
- Lince: extração ilegal de diamantes
- Lince 2: adulteração de combustíveis e roubo de carga
- Farol da Colina: remessa ilegal de dinheiro para o exterior
- Soro: falsificação de leite em pó
- Sucuri e Trânsito livre: facilitação de contrabando
- Pandora: extorsão de empresários
- Vampiro: fraude em licitação de hemoderivados
- Isaías: extração ilegal de madeira

FONTE: Revista VEJA

17 de maio de 2007

24 horas

O agente Jack Bauer, o presidente Palmer, dos Estados Unidos, e o pessoal da CTU são personagens que se tornaram famosos mundo afora. Se você não tem idéia do que estou falando, pergunte a um colega, pois, facilmente, ficará a par. O seriado “24 horas”, da FOX, é um dos melhores entretenimentos televisivos dos últimos anos, encontra-se em sua 6ª temporada e promete mais duas.

Apesar de minha breve ausência nos últimos dias, não me afastei totalmente da rotina diária de leituras, inclusive da visita a alguns blogs. Um deles – o Blog do Sérgio Dávila – chamou à atenção pela polêmica que suscitou, em função de um post sobre notícia interessante, que reproduzo, na íntegra, abaixo:

“Giuliani defende a tortura em debate

Acabou agora o segundo debate entre os dez pré-candidatos republicanos, na Fox News, e a pergunta já está sendo chamada de "Questão 24", em referência à série de TV. Indagado se autorizaria o uso de tortura de um suspeito caso soubesse que isso pararia um ataque nuclear, o senador John McCain (Arizona), segundo lugar na pesquisa entre os pré-candidatos republicanos, disse um sonoro "não". Instado a responder a mesma pergunta, o ex-prefeito de NY Rudolph Giuliani, o primeiro colocado, não titubeou: Ele daria autorização para que fosse usado "qualquer método que eu pudesse pensar" para extrair a informação. Não apóia a tortura, disse, mas reafirmou que autorizaria "qualquer método".

E você?”

Respondi à pergunta, dizendo o seguinte:

Defender a tortura é, naturalmente, algo intolerável. Mas responder à questão, como o fez Giuliani, de forma honesta, é admirável! Além disso, a situação extrema apresentada pelo interpelante foi no sentido de "impedir um hipotético ataque nuclear". A dimensão da tragédia de um ataque, mormente, seria muito maior do que o apelo para uma prática abominável como a tortura - com a qual Giuliani também deixou claro não concordar.

Da esq. para a dir., o sen. John McCain e o ex-prefeito de NY Rudy Giuliani
CRÉDITO: FOX News

Hoje, ao ler os comentários e as demais respostas deixadas naquele blog, observei um extremado repúdio por parte dos leitores, não em relação à tortura ou a um ataque nuclear perpetrado por terroristas, mas aos Estados Unidos. Certamente, esse será o maior legado que deixará o presidente George W. Bush: um anti-americanismo de gigantesca proporção.

Lembremo-nos, porém, de que o segundo mandato de George Bush chegará ao fim no dia 20 de janeiro de 2009. Espero que o ex-vice presidente Al Gore, defensor do multilateralismo e da preservação do meio ambiente, dispute a indicação do Partido Democrata e vença a eleição. Talvez, a imagem americana melhore e sirva de bom exemplo para o resto do mundo, dada a sua inquestionável posição como potência. Os Estados Unidos seriam mais simpáticos ao mundo se tivessem um presidente Palmer.


16 de maio de 2007

O Brasil no Mundo - Parte I

PIB (Produto Interno Bruto)

O Brasil é atualmente a décima maior economia mundial (ver tabela). Essa posição é definida pelo PIB (Produto Interno Bruto), que abrange todos os agregados macroeconômicos e traduz o valor monetário dos bens e serviços (empresas, instituições - com e sem fins lucrativos -, profissionais liberais etc.) produzidos na economia, durante um determinado período de tempo.

Conforme artigo da revista britânica The Economist, traduzido neste blog, o PIB do Brasil teve, nos últimos anos, um crescimento (3,7%, em 2006) muito menor que os demais “BRICs” (qualificação criada pelo banco de investimento Goldman Sachs) –, Rússia, Índia e China. Graças ao Haiti, o país mais pobre das Américas, e 135º no ranking mundial do PIB, o Brasil não ficou em último lugar no quesito crescimento.

No início dos anos 1990, a China (4ª potência econômica, atrás dos Estados Unidos, Japão e Alemanha) ultrapassou, pela última vez, o Brasil – quando o país ainda era a 9ª maior economia do globo. Nos anos recentes, a pior posição ocupada pelo Brasil foi a 13ª, em 2004.

A melhora no ranking deve-se à valorização do real frente ao dólar, considerando-se o cálculo do PIB pela cotação, em dólares, da moeda corrente (Gross domestic product - GDP, current prices, U.S. dollars).

Segundo estimativas do Fundo Montenário Internacional, a Rússia (outro BRIC) ultrapassará o Brasil, em 2008. Não tardará muito para que a Índia, a Coréia do Sul, o México e a Austrália façam o mesmo, conduzindo a economia brasileira para a 15ª posição (e última dos BRICs) entre as maiores economias.


Nos próximos dias abordaremos a posição do Brasil no ranking do PPP (Purchasing Power Parity), que determina o poder de compra da população; do índice GINI, que mede a desigualdade social; e do IDH, que avalia a qualidade de vida.


Crédito das Ilustrações: PINGUIN e BBC Brasil

14 de maio de 2007

Do editor

my
Caros leitores:

Excepcionalmente, não publicamos hoje a coluna "SUNDAY NEWS - Giro rápido". Aproveitamos para convidá-los para a leitura dos artigos mais antigos - porém atuais - e a navergar pelos links sugeridos por nosso blog.

Tivemos de dar uma breve pausa em nossa redação durante os últimos dias, por causa de atribuições profissionais e acadêmicas.


A partir da próxima quinta-feira, dia 17 de maio, tornaremos a postar notícias, artigos e frases, com freqüência diária. Os próximos ensaios tratarão de temas relacionados à educação, filosofia/religião e política internacional.


Desejamos uma ótima semana!


E até quinta-feira.

Charge de Tiago, para a Gazeta do Povo, PR
my

12 de maio de 2007

Petrossauro

A paleozóica gigante estatal Petrobrás conseguiu realizar mais uma grande proeza. Numa época de expansão da economia global, apresentou uma redução de 38% no lucro do primeiro trimestre de 2007, em relação ao mesmo período do ano passado. As principais razões para o péssimo resultado foram, entre outras, a queda nos preços do petróleo, a valorização da moeda nacional e a elevação de “custos operacionais”.

A verdade é que a Petrossauro está iniciando um processo de auto-sucateamento. A irresponsável administração do fundo de pensão de seus funcionários, o Petros, recebeu da estatal um escandaloso aporte de R$ 6 bilhões, conforme denunciado nesse blog, no dia 14 de abril. Hoje é possível observar as conseqüências (ou inconseqüências) dessa medida, que é proveniente da irresponsabilidade do governo e da administração corporativista da estatal e do fundo de pensão. (leia o artigo)

A partir disso tudo, cabe a pergunta: o que a Petrossauro proporcionou de bom, durante a sua existência como estatal, na vida dos brasileiros? – A não ser que se tenha um vínculo empregatício ou corporativo com a empresa, dificilmente será possível encontrar uma resposta positiva para a indagação. Muito pelo contrário, para os contribuintes, ela só dá despesas e prejuízos. Sim! – prejuízos. Os investimentos que recebe do governo (ressalte-se que o governo é financiado pelos impostos pagos pelos contribuintes) poderiam, muito melhor, ser revertidos para áreas carentes como educação, saúde, saneamento ou transportes, em vez de financiar a estrutura do dinossauro.

O tabu da privatização precisa ser derrubado urgentemente. O argumento contrário mais utilizado pela direita nacionalista ou pela esquerda estatista é de que o patrimônio da Petrossauro pertence a todos os brasileiros. Essa é uma falácia. Se alguém precisar de dinheiro e quiser desfazer-se da parte que lhe pertence não poderá fazê-lo. Os únicos verdadeiros donos da estatal são o governo e seus acionistas em bolsa.

O artigo de hoje não abordará a crise que envolve a estatal e a Bolívia. Contudo, vale lembrar que a filial boliviana da Petrossauro responde por 24% da arrecadação de impostos, 18% do Produto Interno Bruto total e 20% dos investimentos estrangeiros diretos da Bolívia. Além disso, seus investimentos somaram, entre 1994 e 2005, US$ 1,5 bilhão (US$ 1 bilhão de forma direta, e o restante por meio de seus sócios). E a atitude do governo brasileiro diante da apropriação das suas instalações pelo idiota latino-americano Evo Morales continua sendo, simplesmente, ridícula.


8 de maio de 2007

Piada de si mesmo

marc
Nada mais divertido do que ouvir um português contando piada de português. Ninguém melhor para contar uma blague de gordo, como o próprio Jô Soares - fica muito mais engraçada! E um judeu quando conta um chiste da yiddische mama? - É muito alegre e demonstra grandeza de espírito. Naturalmente, estamos nos refirindo àquelas piadas de salão, isentas de preconceitos ou, pior, racismo - que não têm graça nenhuma.

Hoje reproduzo um texto do Millôr, que foi publicado na revista Veja (ed. 02/3/07), fazendo graça com o "neoliberalismo". Para quem perdeu, bom divertimento! E para quem viu, vale a pena ler de novo.


"Ideário do Perfeito Neoliberal

I. O perfeito neoliberal é pelo ensino livre e universal. As escolas são grátis, as discussões democráticas, e os filhos dos neoliberais poderão ir para as escolas públicas em seus próprios carros.


II. Haverá para todos educação artística e sexual. A primeira incluirá modelagem, pintura a óleo - minimalista e abstrata - e noções gerais de filosofia de telenovelas. A segunda incluirá distribuição de pílulas anticoncepcionais para menores necessitadas, mas muito bonitinhas.


III. No governo neoliberal os jovens não neoliberais terão as mesmas chances sociais dos neoliberais. Porém, para evitar nepotismo, serão esterilizados.

IV. O perfeito neoliberal é a favor do aborto e do controle familiar. As famílias pobres poderão produzir empregadas domésticas até o limite de seis. Por casal empregador.


V. O perfeito neoliberal dará apoio a todas as reformas, inclusive as que projetam edificar nas inúteis lagoas e colocar ciclovias nas favelas.


VI. O perfeito neoliberal nunca afirma veementemente nem nega peremptoriamente. Mas seus olhos limpos e seu constante sorriso de bons dentes demonstrarão permanentemente suas sadias intenções político-sociais.

VII. O perfeito neoliberal é sempre nacionalista - não necessariamente de sua própria nação.

VIII. Por respeito à nova mulher, o perfeito neoliberal conterá seu orgasmo duplo. Por pudor diante do pobre, só comerá em restaurantes fechados, de preferência em coberturas de hotéis estrangeiros. E para controlar os exageros da Receita Federal providenciará sempre uma escrita dupla em caixa 2.


IX. Das revistas exploradoras do pornô e do lenocínio, o perfeito neoliberal só lerá os artigos de elevada conceituação sociológica (viver é um paradoxo), sem que seus olhos jamais se detenham nas partes outrora pudentas das nossas mais intelectualizadas estrelas de televisão. Que, nos grandes encartes, colocam a mulher numa nova posição.

X. Implantando em todas as escolas currículos de educação sexual, teórica e prática, orientados por professores(as) especializados (com imunidade quanto a acusações de pedofilia), o perfeito neoliberal só permitirá a seu filho praticar o sexo ensinado nas faculdades. E com isso provará a excelência da múltipla escolha."
marc

6 de maio de 2007

SUNDAY NEWS - Giro rápido

marc
ARRECADAÇÃO EUROPÉIA

Segundo o cientista político Sérgio Abranches, em artigo publicado no jornal Valor Econômico, “a carga tributária brasileira – que já alcança 38% do PIB – é igual à da União Européia”. De compensação o retorno permanece em moldes africanos.
arcm
LULA NUCLEAR
Até o presidente Lula da Silva está começando a enxergar que o investimento em energia nuclear é a melhor opção para enfrentar a demanda que se avizinha, além de ser mais adequada para a conservação do meio ambiente. Vale lembrá-lo de que ANGRA-3 e ANGRA-4 aguardam conclusão. 80% da energia consumida na França provém de usinas nucleares. Além disso, a França exporta energia para a Alemanha, onde 20% da energia é de origem nuclear.
marc
PAN VERDE
Reciclagem de lixo, reaproveitamento dos recursos hídricos e estações de tratamento de esgotos integram um conjunto de medidas - que é ainda mais amplo - para a preservação da natureza, adotado pela comissão ambiental criada pelos organizadores do Pan-Americano de 2007, no Rio de Janeiro.

DESCASO ESTATAL
É urgente a privatização da Sabesp: 34% da água produzida pela empresa paulista responsável pelo abastecimento de água, simplesmente, se perde por problemas na rede e por causa de ligações clandestinas. Uma empresa privada jamais permitiria tal desperdício. O negócio seria uma excelente opção para o estado, pois as ações da estatal apresentam boa procura nas bolsas de valores de São Paulo e de Nova York.

DESCARGA DE LUXO
A água utilizada para a descarga dos banheiros, para lavar quintais e para regar jardins, em São Paulo, é água tratada. Seria importante haver legislação que estimule investimentos em obras que permitam a utilização da água da chuva e daquela que pode ser reaproveitada das pias, com isenção ou redução de tributos como o IPTU. Nos novos imóveis “ecológicos”, a economia de água pode ultrapassar 40% sobre o preço da conta.

Atendimento VIP

PONTO PARA O PREFEITO
Os blocos de concreto que se vêem nas portas dos Bingos lacrados também serão vistos nos postos de combustíveis. Em editorial, o jornal O Estado de S.Paulo informou: “o prefeito Gilberto Kassab de São Paulo e representantes da Agência Nacional de Petróleo (ANP) decidiram fechar o cerco aos postos de combustíveis irregulares. Os fiscais do Departamento de Controle do Uso de Imóveis (CONTRU) cassarão alvarás de funcionamento e promoverão a interdição dos postos que adulterarem combustíveis”.

VINHO MAIS BARATO
A coluna de Sonia Racy, Direto da Fonte, de O Estado de S.Paulo, revelou que os produtores de vinho estão trabalhando para que a legislação reconheça a bebida como alimento funcional, retirando dela a condição de supérfluo. A mudança permitiria uma considerável redução no preço da bebida, através da imensa diminuição da alíquota do imposto.
marc
JOGO DE POBRE

Em vez de tratar logo da regulamentação de cassinos, os políticos brasileiros permanecem no limitado debate em torno dos bingos e dos caça-níqueis. Seria muito mais proveitoso explorar o potencial turístico do Brasil, atraindo dólares e euros com a legalização dos cassinos.
Casino Lisboa, Macau - CRÉD. Dennis Flood
JOGO DE RICO
A economia de Macau, ex-colônia portuguesa na China, cresceu 16,6%, acima da expansão de 10,4% do continente, graças ao faturamento obtido com os cassinos e com o turismo. Os ganhos de Macau foram maiores que os de Las Vegas, em 2006, e tendem a aumentar.
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EXTERMINADOR DA CRISE
O estado da Califórnia, nos EUA, saiu da beira da falência e tem apresentado um sólido crescimento econômico, sob a administração do governador Arnold Schwarzenegger, do Partido Republicano. Medidas de preservação do meio ambiente também fazem parte de sua agenda prioritária.
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RETORNO DO IDIOTA - 1
A revista Veja dessa semana traz um excelente artigo de Alvaro Vargas Llosa, um dos co-autores do livro El Regreso del Idiota. Em determinado trecho informa que mais de um cada cinco latino-americanos vive com 2 dólares ou menos por dia.
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RETORNO DO IDIOTA - 2

"Nas últimas três décadas, a média de crescimento anual do PIB da América Latina foi de 2,8% - contra 5,5% do Sudeste Asiático e a média mundial de 3,6%", informa Llosa no artigo de Veja.

Acabei de ler o livro El Regreso del Idiota, que foi lançado, em espanhol, no último dia 15 de abril. É imperdível! Quem não quiser esperar pela edição em português, ainda sem previsão de lançamento, pode adquiri-lo na SURLIVROS, por R$41,50.
Mario Vargas Llosa dá uma boa idéia do que é "O Regresso do Idiota” neste artigo publicado no jornal “La Nación”, da Argentina.

Sarkozy é 23º presidente da França

CRÉDITO: Le Figaro

5 de maio de 2007

SEALOPRA

Combinou perfeitamente, com a circunstância e com o personagem, a alcunha da nova Secretaria de Ações de Longo Prazo, ocupada pelo 36º ministro do governo, Roberto Mangabeira Unger, que registrou por escrito, em artigo na Folha de S.Paulo, que o governo Lula da Silva é o mais corrupto da história.
Lula da Silva e seu 36º ministro
De acordo com o dicionário Houaiss, aloprar significa: ficar maluco, endoidecer.

Clique aqui e leia no blog Notícias do Planalto o melhor chiste, relacionado ao assunto.

CRÉDITO DA FOTO: Notícias do Planalto

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Trogloditas na universidade

marc
Na última quinta-feira, conforme noticiou a Folha Online (leia o artigo), “estudantes” da USP invadiram a reitoria da universidade e destruíram móveis e portas. As aspas para a palavra estudantes são propositais pois, em realidade, trata-se de trogloditas que desconhecem a civilidade.
marc

Quem visitar o campus da universidade não vai se surpreender ao topar com uma grande massa de estudantes que adotam uma moda ultrapassada à la Che Guevara, com cabelos e barbas mal aparados e em trajes - diria - duvidosos. Camisetas estampando o rosto do idiota latino-americano Hugo Chaves ou do ditador cubano Fidel Castro não são raras. Mas fiquei surpreso, outro dia, ao ver uma garota usando uma blusa com a inscrição Hồ Chí-Minh – nome do ditador comunista do Vietnã –, e, pouco adiante, um rapaz com um t-shirt vermelho com a inscrição "CCCP" – que significa URSS, no alfabeto cirílico. Quem sabe, um dia desses, encontro alguém trajando uma camiseta com o nome de Pol Pot*.

Naturalmente, há muito romantismo e idealismo juvenil na cabeça desses estudantes. A maior parte, quando ingressar no mercado de trabalho – e tiver real noção do que foi o comunismo no século passado -, refletirá a respeito da estupidez de um dia. Uns poucos, porém, principalmente aqueles que não forem muito bem sucedidos em suas vidas profissionais, talvez continuem achando que a "saída pela esquerda" seja o melhor caminho para amenizar as dificuldades impostas pelo "malvado mundo da globalização" e militarão em algum MST, PT ou PSOL.

Como estudante da universidade, depois desses comentários, corro risco de ser repudiado por parte daqueles que se identificarem com os perfis descritos acima. Poderei ser estigmatizado como mais um "porco capitalista".

Minha intenção, contudo, não é ingressar numa batalha ideológica, mas chamar a atenção para a possibilidade democrática que todos têm de expressar-se, seja através das inscrições nas camisetas, seja através da moda – por mais duvidosa que seja. O que não é possível tolerar são manifestações animalescas, com quebra-quebras violentos, tais como ocorreram na reitoria.


* Pol Pot, líder do Khmer Vermelho, movimento comunista do Cambodja, exterminou entre 1,7 e 2,0 milhões de pessoas (quase ¼ da população de seu país), entre 1975 e 1979. Em números proporcionais, Pol Pot foi responsável pelo maior genocídio da história. As vítimas eram espancadas até a morte ou sufocadas com sacos plásticos para poupar balas de artilharia.
Dados do United Human Rights Council

4 de maio de 2007

Cafajestada demagógica

Ficou claro: a quebra da patente do remédio Efavirenz, do laboratório Merck, nada mais é do que uma enorme »cafajestada demagógica« do governo Lula da Silva.

Ontem publicamos, em primeira mão, notícia divulgada pela Agência Reuters, informando que o governo quebraria a patente do remédio que serve para o tratamento de portadores do vírus da AIDS.

Já desconfiávamos que esta poderia ser mais uma medida duvidosa, diante da pretensa “bondade” do governo. O que se descobriu é que o laboratório Merck Sharp & Dohme já tinha oferecido desconto de 30% sobre o preço do medicamento, estando aberto a uma negociação mais minuciosa. A empresa não obteve resposta do ministério da Saúde para a sua oferta (leia nota oficial abaixo). Optou-se, de forma unilateral, por adquirir um genérico indiano pela metade do preço.

A intenção do presidente, portanto, é clara: não se deseja fazer nenhuma economia ou beneficiar os sofridos doentes. Deseja-se, única e exclusivamente, enganar uma vez mais os otários.





COMUNICADO OFICIAL

Em relação à posição do governo brasileiro em autorizar o licenciamento compulsório do medicamento STOCRIN® (efavirenz), a Merck Sharp & Dohme, fabricante do produto, esclarece que:

·Desde 1996, trabalhamos junto ao Ministério da Saúde e com a classe médica na busca de alternativas para ampliar o alcance da população brasileira aos medicamentos para HIV/AIDS. O mesmo se passou nesta nova discussão quando, prematuramente, o Ministério da Saúde encerrou as negociações com a Merck Sharp & Dohme.
·Atualmente, entre todos os medicamentos que fazem parte do coquetel anti-Aids comprados pelo governo brasileiro, o efavirenz é o que apresenta o menor preço.
·O valor do medicamento praticado pela empresa no Brasil é um dos mais baixos do mundo. Apenas países considerados subdesenvolvidos, de acordo com critérios da ONU (Organização das Nações Unidas) ou onde a porcentagem da população adulta portadora do HIV é considerada alta (superior a 1% do número total de habitantes), os preços são mais baixos que os praticados no país.
·Em outros países, com situação econômica similar à do Brasil, o preço do comprimido de 600mg do efavirenz é de US$1,80. Aqui, graças ao avanço nas negociações e em reconhecimento ao Programa Nacional de DST/AIDS do governo brasileiro, o valor cobrado é de US$ 1,57. Esse valor é 86% menor que o preço praticado nos EUA e é superior apenas aos preços praticados na África subsaariana e Tailândia.
·Na visão da empresa, o licenciamento compulsório não é a melhor solução para o país. Ao ameaçar uma patente, o Brasil transmite um sinal ruim para a comunidade internacional, uma vez que o preço do medicamento segue critérios acordados em fóruns internacionais. Tal ação, como já ressaltado por líderes responsáveis por questões de propriedade intelectual dos Estados Unidos, pode desencadear percepções negativas em relação ao ambiente de negócios no país, bem como às garantias dos investimentos de origem estrangeira.
·Uma análise na íntegra de nossas propostas seria bastante interessante em todo este processo, o que comprova nosso comprometimento contínuo em discussões que visem a continuidade do Programa Nacional de DST/ AIDS
·Ressaltamos que o valor gasto em pesquisas até que um único medicamento seja lançado no mercado é de cerca de US$1 bilhão (um bilhão de dólares) e a manutenção das patentes é de extrema importância para que as empresas possam manter seus investimentos em pesquisas. É a única maneira de buscarmos medicamentos cada vez mais modernos e eficazes, que possam melhorar a qualidade de vida do maior número possível de pessoas. Sem um sistema de patentes efetivo e eficaz, há um sério risco de se negar às gerações futuras o benefício de novas drogas.
·Desde seu lançamento em 1998, reduzimos o preço do anti-retroviral STOCRIN® (efavirenz) em 77%, chegando a um preço que representa apenas uma fração (10%) do preço vigente nos Estados Unidos.
·Em razão disso, foi possível tratar 155 mil pacientes em 2004 (duas vezes mais que em 1999) com um gasto de aproximadamente R$ 570 milhões, o que representou apenas 1,8% do gasto total do Ministério da Saúde neste período.
·Em contrapartida, em 1999, com um gasto total de R$ 622 milhões, cerca de 3,2% dos gastos do Ministério da Saúde, foi possível o tratamento de 78 mil pacientes. Isto prova que, em seis anos de negociações comprometidas com o bem-estar dos pacientes que vivem com HIV/AIDS, foi possível dobrar o número de pessoas atendidas e diminuir os gastos do governo.
·Reforçamos nosso compromisso contínuo na pesquisa de HIV/AIDS e com orgulho informamos grandes avanços no desenvolvimento de um inibidor de integrase (gerando uma nova classe de medicamentos ainda mais potentes nesta luta contra a doença), além de vacinas, que certamente representarão duas importantes descobertas para o tratamento de HIV/AIDS.

Atenciosamente.

Departamento de Comunicação Corporativa
Merck Sharp & Dohme

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