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5 de junho de 2007

O dinossauro perde a sua chance

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Especial para o WORLD NEWS EXPRESS
por Marcus Mayer
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“Não é função do governo fazer um pouco melhor, ou um pouco pior, o que os outros podem fazer, e sim fazer o que ninguém pode fazer”.
Lord Keynes

Entre os anos de 1975 e 1984, quando o mundo desenvolvido centrou investimentos maciços na área da informática, compartilhando tecnologias, o Brasil – que ainda vivia sob a ditadura militar nacionalista – submetia-se à insensata política de informática, praticada pela SEI (Secretaria Especial de Informática). A absurda
Lei de Informática, de outubro de 1984, foi sacramentada pela “Constituição besteirol” de 1988.
National Museum of Natural History, New York
Para jovens que ‘nasceram’ dominando as modernas tecnologias e se alfabetizaram lado a lado do computador, a perplexidade é ainda maior quando descobrem que o Brasil, durante mais de uma década, fechou o seu mercado proibindo investimentos estrangeiros e importações na área de tecnologia de informática. A isso se chamou de reserva de mercado.
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Naquela época, as tecnologias existentes já começavam a ser renovadas a cada ano. E nenhum componente fabricado no exterior podia ingressar no País. Hoje a reserva continua existindo através da altíssima taxação. Basta tentar passar pela alfândega com um Notebook, sem declará-lo à receita, para ver no que dará. Antes de chegar a uma loja brasileira, um PC carrega quase 100% em taxas de tributação direta - 18% de Imposto de Importação, 50% de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), 9,25% de PIS/Cofins e 18% de ICMS.
Roberto Campos (1917-2001)
IDEOLOGIA - A esquerda, que aplaudia a iniciativa da ditadura – em oposição aos liberais, liderados por nomes como Roberto Campos e José Guilherme Merchior – fazia a festa. Essa irresponsabilidade da legislação autoritária rendeu mais de duas décadas de atraso ao Brasil na área da informática.
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E por mais incrível que possa parecer, em pleno século 21, mesmo depois da queda do Muro, o nacional-corporativismo esquerdista – um mix de nacionalismo fascista e coletivismo socialista – ainda não saiu de cena no Brasil e boa parte da América Latina.
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O que acontece no Brasil atual é uma repetição da década perdida dos anos 1980. Naquele período o problema maior era a hiperinflação e a carestia. Hoje o caos provém do aparelhamento do estado e da conseqüente corrupção.
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O MUNDO – a economia mundial está em plena festa. Os asiáticos – China, Filipinas, Malásia, Índia etc. – crescem sem parar. Na União Européia – tanto na zona do euro quanto fora dela – o desemprego recua graças ao índice de confiança (em 119 pontos), o melhor desde 2001. Os Estados Unidos, com seu PIB de US$ 13,8 trilhões, têm uma economia sólida que reflete nas exportações do resto do mundo e consegue manter o desemprego estável (4,5%). As bolsas ao redor do mundo não param de bater recordes.
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E o Brasil? – O País continua batendo recordes também! E o maior deles em arrecadação de impostos. Para o governo esquerdista a altíssima carga tributária – que se caracteriza por uma arrecadação de nível europeu e serviços de padrão sub-saariano – é primordial para bancar o gigantesco cabide de empregos e os 36 ministérios.
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É necessária muita arrecadação para pagar os salários dos mais de 26.000 cargos de confiança dos petistas e dos seus amigos. Também é fundamental que os impostos sirvam para que a Previdência possa pagar os benefícios dos servidores públicos (valores estratosféricos, quando comparados aos do setor privado). Além disso, evita-se uma reforma impopular, que se chocaria com os interesses do funcionalismo público e dos sindicatos.
Ferozes dinossauros estatais: maymayer mayer
Questão pétrea da esquerda nacionalista é a manutenção da Petrobrás, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e tantos outros dinossauros da administração pública, como empresas estatais – aliás, como ‘patrimônio de todos os brasileiros’.
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PRÉ-HISTÓRIA - Como seria possível oferecer cargos de diretoria, altamente remunerados, para gente sem qualificação se não existissem as empresas estatais? Lembremos que a maioria dos petistas foram injustiçados pelas elites que governaram o País, e não tiveram as mesmas chances que essas classes privilegiadas. E os amigos do PT? - Teriam de ficar de fora, pois o número de ministérios (36) é muito pequeno para empregá-los.
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Não é de estranhar que o Brasil seja um exportador pouco dinâmico. Descontados todos os problemas do custo-país, os superávits são conquistados às custas da exportação de commodities, produtos primários de baixo valor agregado. Enquanto o mundo caminha para o futuro, o dinossauro brasileiro permanece na pré-história do desenvolvimento. Vivemos mais uma década perdida.
Computador Cobra 210
A estatal Cobra, fundada em 1974, ainda existe e não serve para nada além de camuflar apaniguados na folha de pagamentos. Gastou dinheiro do contribuinte quando estava sob a proteção da SEI, durante a ditadura, e ainda hoje o pagador de impostos banca a sua ineficiência através do Banco do Brasil, que incorporou o monstro.

A tecnologia desenvolvida pela Cobra é tão admirável quanto o seu site na Internet. Confira.

E para que se tenha uma idéia do que anda fazendo, inventou um PC básico que custará R$ 1.440,00. Qualquer idiota sabe que com esse valor, descontados os impostos, o governo compraria dois ou mais computadores nos Estados Unidos. Compare-se somente com os avançadíssimos Notebooks populares, com tecnologia wirefire, capacidade de conexão à Internet, que custarão em torno de US$ 200.
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E os nossos intelectuais da USP ainda fazem a sua revolução particular do século 19.
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